Em entrevista, Marina Silva defende fim de Estado que gasta excessivamente

Pré-candidata do partido Rede Sustentabilidade à Presidência, a ex-senadora Marina Silva, 60, em entrevista à Folha de São Paulo, defendeu a Operação Lava a Jato, mostrou-se contrária ao que é proposta nas reformas do Governo Temer e diz que pode governar com outros partidos, como PT, MDB e PSDB, pelo fim do que chamou de “Estado perdulário”, ou seja, que gasta excessivamente.

“A Lava Jato é uma das maiores contribuições desde a redemocratização do Brasil”, disse a ex-senador. Sem Lula, Marina aparece com 15% das intenções de voto no Datafolha, empatada tecnicamente com Jair Bolsonaro (PSC), que tem 17%. Questionada sobre uma possível aliança com Joaquim Barbosa, do PSB (ex-partido de Marina) e que tem até 10% das intenções de voto, a ex-senadora afirma: “É uma pessoa que vai dar uma contribuição para o processo político”.

Confira o que mais disse Marina Silva:

Derrota em 2014

“Tínhamos a avaliação de que estávamos concorrendo de forma equânime, mas vimos que foi uma eleição fraudada, onde o uso do caixa 2, a violência política e atitudes autoritárias prevaleceu. A Lava Jato revelou quem é quem e vamos participar sabendo que muitos estão concorrendo a um habeas corpus ou a um salvo conduto. A autocritica que faço é que tínhamos a compreensão de que iríamos fazer uma disputa com base nas regras do jogo, de acordo com a lei. E não foi uma campanha assim”.

Lava Jato

“É uma das maiores contribuições desde a redemocratização do Brasil. Está ajudando a desmontar uma estrutura criminosa de uma corrupção institucional que há décadas assola as finanças públicas. Temos uma situação em que devemos institucionalizar as conquistas da Lava Jato para não enxugar gelo. Por isso é importante agora a mobilização para combinar a prisão em segunda instância com o fim do foro privilegiado dos políticos”.

Prisão de Lula

“É um momento difícil da história de nosso País. Não podemos ter uma visão de Justiça como vingança. Temos que dar um passo civilizatório de pensar a Justiça como reparação. Os que cometeram erros devem ser investigados, assegurado o direito de defesa. E se ficar comprovado que cometeram crimes, devem ser punidos. Empresários e alguns políticos estão sendo punidos, mas a sociedade precisa se mobilizar pelo fim do foro privilegiado, pois existem os que estão escondidos no Congresso e no Planalto com seus foros. A lei deve ser igual para todos. O problema é que a sociedade está vendo uma parte cumprir com suas penas e uma outra que está impune. Não se pode ter dois pesos e duas medidas”.

Joaquim Barbosa

“Temos uma relação de respeito, com certeza. Se ele deseja contribuir com a política nesse momento tão difícil que estamos vivendo, fará isso e o PSB está fazendo uma discussão interna se tem candidatura própria ou não, ou se apoia outras candidaturas. Eu respeito o processo interno e acho que ele trará uma grande contribuição. A minha candidatura não depende da dos adversários”.

Coalizão de Governo

“Não podemos ganhar a Presidência conformados com a ideia de que a maioria no Congresso se faz na base do fisiologismo. Defendo o presidencialismo de proposição. A composição do governo e da maioria no Congresso tem de ser com base no programa. Não dando diretorias de estatais. Hoje temos um Estado perdulário, que não entrega serviços, não faz avaliação de desempenho, que não avalia seus próprios projetos. Tenho respeito pelas posições dos demais partidos e não temos pretensão de ser os donos da verdade. Existem pessoas boas no PT, no MDB e no PSDB. A visão maniqueísta de que só são bons os do meu partido levou o país ao buraco”.

Reformas de Temer

“A reforma trabalhista apresentada foi totalmente draconiana. A proposta de congelar o Orçamento público em 20 anos não é nem heterodoxa, é uma falta de bom senso em um País com as iniquidades sociais que temos. O que propomos é fazer isso por meio da lei orçamentária. Existe uma polêmica se o déficit da Previdência é de fato do tamanho que dizem. Mas o gasto é muito grande. Todos os especialistas dizem que é. Na reforma (apresentada por Temer), privilégios foram blindados. Esse governo não tem legitimidade e credibilidade para fazer esse debate com a sociedade”.

Com informações do Jornal Folha de São Paulo