Sim, haverá disputa no Ceará

Enfim, o Ceará parece ter entrado em pré-campanha eleitoral. Parece que já há mais que as candidaturas de Camilo Santana, à reeleição, e a do franco atirador Ailton Lopes, pelo Psol. Um fato novo nos últimos dias mudou o tom modorrento da nossa política. No caso, a apresentação do general da reserva, Guilherme Cals Theóphilo, como potencial candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB.

Experiente no ramo, Tasso Jereissati parece ter movido uma peça capaz de exercer forte influência nos rumos do jogo. Afinal, em tempos de paz, chegar ao generalato de quatro estrelas, é para poucos. Tal condição compõe uma candidatura com credenciais relevantes. O problema do general tucano será outro.

O comando geral da Amazônia e a gestão logística do Exército em um País com as dimensões do Brasil foram as duas últimas funções de relevo do general. Porém, o currículo não alonga o curto tempo da campanha que se avizinha. O general vai ter que se dedicar com afinco a se tornar conhecido e a conhecer as questões estratégicas do Ceará. Muitas cascas de banana surgirão. Um escorregão pode ser fatal.

Quanto a Camilo, a zona de conforto ficou para trás. É fato que o governismo trabalhou com afinco para eliminar a concorrência. O poder de fogo da máquina e da caneta, unidas à capacidade de articulação própria da política, quase que esvaziaram a oposição.

Mas, nas circunstâncias de hoje, um nome de oposição, mesmo que sem grande dimensão, já seria capaz de sair da disputa contra com uma faixa entre 30% a 40% dos votos válidos. É usual. Porém, o fato novo pode criar circunstâncias novas. O governador sabe bem onde o sapato lhe aperta e produz calos em profusão.

O fato de o general ser um nome desconhecido impõe à oposição uma tarefa hercúlea. Porém, esse obstáculo é, por outro lado, um facilitador. Afinal, trata-se de um nome sem desgastes e sem máculas que ingressa em um sistema político e partidário muito mal avaliado pela população.

Uma curiosidade: em outubro de 2017, o governador Camilo Santana e o prefeito Roberto Cláudio foram apresentados ao general e mantiveram uma conversa de cunho administrativo. Guilherme Theóphilo levou aos dois gestores o projeto de instalar em Fortaleza uma unidade do Instituto Militar de Engenharia (IME). O excelente desempenho do Ceará na aprovação para o IME e o ITA credenciavam o Estado. Infelizmente, o projeto não prosseguiu.

 

Fonte Blog do Elomar