Por que Bolsonaro tem reforçado presença no Ceará às vésperas de ano eleitoral

O presidente faz 3ª visita ao Ceará em 2021 reforçando agendas de obras hídricas

Quando Jair Bolsonaro (sem partido) desembarcar no município de Russas, na manhã desta quarta-feira (20), será a quarta vez que o presidente virá ao Ceará desde que assumiu o mandato em janeiro de 2019. Três dessas visitas foram feitas neste ano. No período, o Estado só fica atrás da Bahia (4) em número de viagens do chefe do Executivo na região Nordeste.

E não é à toa. Há atrativos políticos e administrativos que justificam a frequência dessas viagens. Bolsonaro aposta na candidatura do deputado federal Capitão Wagner (Pros) para o Governo do Estado. Seria a possibilidade de um palanque competitivo para a disputa do ano que vem — já que em 2018 ele terminou o pleito em terceiro lugar entre os eleitores cearenses.

Tocando obras hídricas deixadas pelas gestões anteriores, e fazendo investimentos em mais de uma região do Estado — através do programa Jornada das Águas —, Bolsonaro aposta em uma das áreas mais densas do ponto de vista político para alavançar o apoio popular, que é o acesso à água. Nesta quarta existe também a possibilidade do lançamento do programa Auxílio Brasil, que substitui o Bolsa Família.

A previsão no roteiro da viagem é que o presidente deve sair de Brasília com pouso programado em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Partindo de lá, Bolsonaro vai de helicóptero até a cidade de Russas, na região Jaguaribana, para o lançamento de edital da construção do Ramal do Salgado. Um investimento de R$ 600 milhões em infraestrutura hídrica que prevê o benefício de 4,7 milhões de pessoas de 54 cidades cearenses.

AGENDAS DE 2021

A primeira visita de 2021 ocorreu no dia 26 de fevereiro. Bolsonaro veio ao Ceará e passou pelos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza. Ele participou de cerimônia para anunciar obras estruturantes em Tianguá, Umirim e Horizonte.

Legenda: Em Tianguá, Bolsonaro assinou ordem de serviço para obras estruturantes
Foto: José Dias/PR

Seis meses depois, no dia 13 de agosto, o presidente retornou ao Estado para a cerimônia de entrega de residências no Cariri. Lá, reuniu lideranças regionais e parlamentares aliados no Estado.

Legenda: No Cariri, Bolsonaro entregou casas populares
Foto: Marcos Corrêa/PR

PALANQUE NO CEARÁ

Em meio às entregas de casas populares e às assinaturas de ordens de serviço para obras hídricas, o foco das visitas também alimenta um tom eleitoral. Nos bastidores, se intensificam as conversas para acordos políticos em estados visando a eleição presidencial de 2022.

Diferentemente do que ocorreu em 2018, quando o palanque de Bolsonaro no Ceará era representado por Hélio Góis (PSL), que atingiu apenas 6,53% dos votos válidos, o presidente agora aposta na força de Capitão Wagner (Pros), que reiteradas vezes tem batido recordes de votos nas disputas do legislativo. Na última visita, quando esteve em Juazeiro do Norte, o chefe do Executivo chegou a declarar apoio à pré-candidatura do deputado federal na corrida para o Governo do Estado.

A expectativa é que o nome do ex-capitão da Polícia Militar seja competitivo e ajude a candidatura presidencial. O deputado já concorreu duas vezes à Prefeitura de Fortaleza, chegando ao segundo turno nas duas oportunidades — sendo derrotado em 2020 com margem apertada dos votos. O grupo de oposição ao governador Camilo Santana aposta nessa força conquistada no ano passado na Capital para equilibrar o jogo em 2022.

Nas duas viagens deste ano em que o presidente cumpriu agenda no Ceará, Wagner integrou a comitiva presidencial. O parlamentar cearense tem feito uma série de viagens pelo interior para construir uma base de apoio. O pré-candidato contabiliza 80 cidades visitadas.

Além de Wagner, o arco de aliança de Bolsonaro no Estado passa pelo senador Eduardo Girão (Podemos), o deputado federal Jaziel Pereira (PL), os deputados estaduais André Fernandes (Republicanos), Delegado Cavalcante (PTB), Dra. Silvana (PL), Soldado Noelio (Pros) e os vereadores Carmelo Neto (Republicanos), Inspetor Alberto (Pros), Julierme Sena (Pros) e Priscila Costa (PSC).

BASE GOVERNISTA

A presença mais corriqueira do chefe do Planalto ao Ceará também ocorre em um contexto de divisão na base política do governador Camilo Santana. Enquanto o PDT vai marchar pela candidatura de Ciro Gomes à presidência da República, o PT vai pedir votos para Lula.

Nos últimos dias, Wagner inclusive chegou a defender publicamente a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a deputada federal Luizianne Lins (PT) em meio aos embates entre Ciro e a ex-presidente nas redes sociais.

 

 

 

Fonte: Diário do Nordeste